Desenho Infantil – 1

Uma casa, para ser erguida, precisa de fundamentos fortes calcados numa terra firme e segura.
Dessa forma, concluímos por analogia que toda obra humana, seja em qual campo for, sempre se inicia do básico. Do essencial. Da estrutura que vai servir de motivo para que outras coisas possam ser construídas sobre ela.
Por isso o desenho infantil, ou para crianças, carrega a essência de tudo o que podemos utilizar em nossos trabalhos posteriores no que tange primeiro à anatomia.
Ele possui os elementos principais da distribuição dos pontos de referência da anatomia humana e é por ele que você deve começar a treinar seu traço.
Eu acredito que o desenho infantil é tão importante que se você não o dominar completamente, sob todos os aspectos, o seu esforço em todo o resto será em vão.
Você pode até quebrar um galho em algumas coisas, como vetorização, arte-final e pintura. Mas sem dominar o desenho infantil, mande um abraço para suas pretenções.

O pior é que a maioria dos aspirantes a desenhistas passa batido pelo desenho infantil. A turminha quer desenhar o que gosta e o que quer. Mas sem esse fundamento técnico, seu trabalho sempre será inferior ou incompleto.

Portanto, sem maiores delongas, veja agora exemplos simples de como você deve iniciar-se nessa arte:
É bem fácil: faça duas bolinhas sobrepostas, uma será a cabeça e a outra o tronco.
Perceba que o esqueletinho também simula a coluna vertebal, o quadril, as pernas, os braços e, claro, as linhas do rosto aonde você vai inserir os olhos, nariz, boca, etc. Está um pouco espaçado entre as linhas da cabeça porque se trata de um ratinho, certo? E o mangá pede olhos maiores e menos “reais”.
Próximo passo é…
…desenhar os contornos da figura, já dando cara ao personagem. Perceba os detalhes das mãos e os dedos dos pés estilizados. O detalhe legal é a marca da calça na cintura, a boca bem suave, o nariz restrito a um pingo e os olhos expressivos, bem grandes.
A orelha, que deveria ficar na linha dos olhos, foi pro alto da cabeça, por razões óbvias. E o cabelo espetado dá o tom da masculinidade do personagem. Se fosse uma ratinha, era só cortar o cabelo e fazer uns cílios mais destacados nos olhos. Moleza, né?
O próximo passo é dar um acabamento no personagem, já delineando quem ele realmente é:
Perceba que as linhas-guia de antes foram apagadas e já temos a forma do ratinho já bem definida. Os pés tem os dedos definidos, as mãos estão certas, a calça ganhou as dobras, o rabo apareceu e já veio com seus anéis…
E no pescoço o ratinho ganhou uma gola com duas fitas.
Veja que o desenhista deixou o corpo do personagem fofinho a partir das pernas, no tronco e nos braços. É a famosa “fofolização” do desenho, algo muito comum nos mangás.
A cabeça já ficou definida em definitivo a partir dos olhos brilhantes, com as sombrancelhas simples e a boca em “v” invertido.
Viu como é tudo fofo? São as curvas que causam essa sensação.

Agora não vou falar nada. Veja por si mesmo e conclua.


Percebeu as orelhas? E os pés? E a linha do ombro? Pois é…
Depois de fazer o “alicerce”, agora o cara vai jogar as “paredes” do desenho:
E finalmente ele apaga as linhas-guia e joga o acabamento:
Mas foi fácil demais isso, heim? Mas se você não souber isso, mano, desista. Joga fora suas coisas e vá ser pedreiro porque desenhista que não manja de algo tão básico, pode esquecer de tudo!

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